A greve da PM da Bahia: Em prejuízo da maioria

09/02/2012 - Especial “Segurança Pública”

O deputado federal Emiliano José publicou no dia 06, um texto sobre a Polícia Militar da Bahia, no Facebook e site, onde orienta:

"O governo da Bahia precisa [...] desarmar a bomba que é a Polícia Militar da Bahia. Uma tese acadêmica do professor George Okohama mostrou o espírito autoritário da Polícia, ao analisar a greve da PM em 1981. [...] E a violência, pode-se dizer, vem sendo o método de trabalho da PM baiana, entranhada na corporação pela ideologia do carlismo. [...] ACM incutiu na PM a ideologia da violência. Agora, este espírito maligno se volta contra o povo da Bahia."

Pois é... Vamos nos despir de questões político-partidárias; e de "pré-conceitos" sobre a greve, grevistas, legalidade, uso de armas, petistas, carlistas etc... Autonomia mental é essencial! Convido-os a refletir o que significa um dos maiores líderes baianos, um parlamentar respeitado nacionalmente, um formador de opinião, um inspirador de gerações, emitir - publicamente - uma opinião com esse conteúdo! Embora tenha percepção acurada, parece que o deputado ignorou o preparo intelectual dos internautas, objetivando tão somente tornar vítima o Governo, a qualquer custo...

Mesmo que o custo seja alto: denegrir a imagem e atuação diária da PM!!!

Foi o que o nobre nos autorizou a concluir.

E ele não é voz uníssona. Artistas baianos (em boa parte preocupados com seus milhões não arrecadados em decorrência do cancelamento de dezenas de shows), empresários do Carnaval (que não é uma festa simplesmente "popular"), jornalistas cujas emissoras faturam com os eventos festivos que movem a Bahia, associações de agentes de viagens e do setor hoteleiro, bem como cidadãos que não possuem interesses financeiros mas comungam legitimamente da mesma opinião, estão promovendo toda sorte de comentários que desmecerem a Polícia Militar.
 
Mas jogar a sociedade contra a Polícia Militar - enquanto Instituição Democrática - é inaceitável!
 
Partindo do deputado mencionado, a afirmação demonstra, no mínimo, inabilidade política; para não dizer incapacidade emocional de separar questões partidárias de questões de governo e de segurança pública. Esse comportamento, somado ao acúmulo de equívocos dessa natureza, nutre a rejeição da sociedade à Polícia Militar! Isso é enveredar o povo – que mora num Estado cuja capital ostentou 210 mortes em janeiro e 129 nos oito primeiros dias de fevereiro – por um terreno pantanoso... de desrespeito às instituições e cujas conseqüências são imprevisíveis e incontroláveis...

Discordando do deputado, afirmo: a PM NÃO é "uma bomba"!!! E, com muito constrangimento (porque o tenho como uma reserva moral) lembro ao parlamentar:
1. entre a citada tese e ...hoje, "apareceu" uma "coisinha de nada" chamada Constituição Federal - sei que alguns nobres parlamentares podem não lembrar dela (tomados pelos arroubos partidários que norteiam os governistas nesse momento de greve e caos) nem de quando ela surgiu, em 1988 (já que o partido que governa a Bahia se posicionou de forma contrária na época); mas, tenho que informá-lo: ELA EXISTE!
2. na Carta Magna, a Polícia Militar não aparece como uma "bomba" nem como um "espírito maligno"...
 
Vejamos:
 

"CAPÍTULO III - DA SEGURANÇA PÚBLICA
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil."


Não julgo necessário tecer mais comentários acerca das funções e importância da Instituição! Aliás, Instituição tão amparada pelo ordenamento jurídico do nosso Estado Democrático de Direito quanto a Câmara dos Deputados - local de labor do deputado petista.

Já que citamos a Câmara... Cadê a Reforma Tributária? Cadê a Reforma Agrária? Cadê a Reforma Política? Tenho certeza de que se algumas dessas reformas fossem realizadas, haveria positiva repercussão, com consequente diminuição das desigualdades sociais... Cadê a PEC 300? Ops, a PEC 300... Ao deputado Emiliano José cobramos soluções e não meras acusações a “governos anteriores” e à "PM". Dialogue! Negocie! Resolva! Oriente! Iinforme! Mas, usar uma página pública para ataques partidários e para achincalhar uma séria Instituição como a PM: não dá!

Claro que o deputado tem todo direito de apontar problemas... OK! Também tem de se posicionar no sentido de aprimorarmos o sistema de segurança pública no Brasil. É óbvio! É legítimo que o faça como qualquer cidadão! E assim como o deputado tem o direito de se manifestar corroborando à negação aos excelentes préstimos diários da PM; tenho de invocar sensatez e equilíbrio para que não se promova um "linchamento" público àqueles com quem efetivamente contamos quando ameaçados os nossos maiores bens: os policiais militares. Criticar, no conforto de um amplo gabinete, a atuação diária de quem sai de casa para encarar indivíduos armados, entorpecidos e com o dedo no gatilho, é fácil! Difícil é ser propositivo e pressionar o seu próprio governo às soluções que urgem.

Mais de CEM PESSOAS MORERRAM e vamos ficar calados assistindo um batalhão de cargos e aliados falando em “carlismo”, citando acusações manipuladoras? Que se avise ao séquito do Governo - que inunda as redes sociais com insultos à Polícia Militar - que o POVO não segue cartilha de partido... Nós somos cidadãos!!! Exigimos respeito, competência e responsabilidade dos gestores. O cenário é de arrastões, estupros, saques, tiroteios e o deputado vem tergiversar e por o crédito do caos em “ACM”! Para justificar o que? Incompetência? As 129 mortes? As famílias destruídas? Os corações de mães destroçados pelas perdas dos filhos? 

Parece-me que pronunciamentos como o do deputado explicitam o retrocesso de alguns aliados do Governo da Bahia - governo marcado pelo personalismo, estatização do partido e aparelharelhamento do Estado - que entendem qualquer manifestação como uma afronta, um complô, um golpe... Não podemos ser indiferentes às eleições que se avizinham. Por óbvio que a oposição está fazendo da greve um palanque. Mas não podemos abrir mão – em nome dos interesses partidários – do INTERESSE PÚBLICO. E se o interesse público aponta para o fim da greve – a curto prazo – aponta, TAMBÉM, para o fortalecimento das Instituições Democráticas. Uma coisa não pode se tornar obstáculo a outra...
 
O interesse em finalizar a greve não pode justificar que se enfraqueça a Polícia Militar – subjugando seus membros e a corporação aos discursos manipuladores.

Que governistas vêm sendo hábeis em desmerecer os interlocutores (jornalistas, oposição) para impor seu projeto de poder e seus posicionamentos, nós já sabemos... Mas, NUNCA será aceitável que em nome da defesa da mera imagem de um governo e de conveniências partidárias, um líder fomente, na população, o desprezo à Polícia Militar. Esse comportamento denota falta de habilidade democrática!

Obs Tenho muito respeito, consideração e estima pelo deputado Emiliano José, julgando-o um notável parlamentar; mas isso não inibe minha extrema indignação como cidadã e em defesa de profissionais pelos quais perpassa soluções para os problemas de segurança pública que vivemos.

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