BRASÍLIA - DF - RA 03 - Taguatinga

História de Taguatinga

Os primeiros registros de ocupação da região onde hoje se localiza a cidade de  Taguatinga datam do século XVIII, e mostram que, como tradicionalmente ocorreu em outras regiões brasileiras, os primeiros povoamentos foram estimulados pela busca de metais preciosos e pela atividade agropecuária.

 

1749, a primeira Sesmaria

Em 1749, coube a Gabriel da Cruz Miranda estabelecer-se com a primeira Sesmaria1 nas precursoras terras taguatinguenses, onde hoje se localiza a sede da ACIT/FACITA. E foram as águas do Córrego Cortado que atenderam as necessidades daquele núcleo de povoamento. Próximo às margens desse córrego foi instalada a sede da fazenda Taguatinga, de propriedade de Gabriel da Cruz Miranda. Em 1781, a fazenda Taguatinga foi vendida a Antônio Couto de Abreu, filho do Bandeirante Urbano Couto e Menezes.

Consolidação da Cidade

No entanto, a consolidação da cidade de Taguatinga se deu quase 2 séculos após esse período, quando o grande contingente populacional gerado pela construção de Brasília se instalou na região do Planalto Central. A mão-de-obra mudou-se para a região com o intuito de trabalhar e fixar residências. O afluxo ocorrido foi tão intenso, que ainda no período de construção, a Cidade Livre, projetada inicialmente para ser um núcleo provisório para abrigar os trabalhadores, já se configurava em aglomerado urbano e as invasões proliferavam diariamente.

 

Guarda Especial de Brasília

A Guarda Especial de Brasília (GEB), força policial montada pela Novacap, tinha por objetivo manter a ordem no território da construção de Brasília e nos núcleos onde habitavam os operários. Sempre lembrada pelos operários como muito violenta, a GEB não exigia formação adequada dos que ingressavam nesta força policial, o que teria contribuído para as arbitrariedades cometidas. A GEB chegou a ser utilizada na interceptação de veículos nas estradas, obrigando os migrantes a retornarem às suas cidades de origem.

Formação do Núcleo Habitacioal

Nas proximidades desse local que se formou um núcleo habitacional, com aproximadamente mil pessoas, na maioria viajantes deixados à beira da estrada pelos motoristas que, impedidos de atingir Brasília, abandonavam seus passageiros ao longo da estrada Brasília-Anápolis. Assim surgia a invasão da Vila Sarah Kubistschek, uma cidade sem luz, água, esgoto, ruas, tudo funcionava de maneira precária. A escolha do nome Vila Sarah Kubitschek fazia parte da estratégia dos ocupantes que esperavam, com essa homenagem a então primeira dama, impedir que a NOVACAP utilizasse a GEB,  (Guarda Especial de Brasília) para remover a invasão.

Manifestação e Luta

Os invasores tomaram conhecimento de que no dia 31/05/1958, o ex-presidente Juscelino Kubitschek estaria em um jantar no restaurante JK, na Cidade Livre e planejaram uma manifestação para pedir apoio à permanência deles no local. Advertido sobre a manifestação, o então presidente não compareceu ao local.

O então diretor da NOVACAP, Ernesto Silva assumiu a tarefa de solucionar o problema. Diz que:

“[...] Juscelino ia jantar no Núcleo Bandeirante, no restaurante, doutor Israel mandou que fosse lá. Foi quando eu fui lá ver o quê que era... quando subi no caixote para falar com eles... dizer que estava tudo programado, que a gente ia ter um lugar para eles, nós íamos transferir todo mundo, que no dia seguinte, que era um domingo, eu ia lá com o doutor Mário Meireles, que era o prefeito do Núcleo Bandeirante[...] foi um arquiteto que fez a planta de Taguatinga que foi esse Paulo Hungria sim [,,,]” (SILVA, 1998, P. 7-8. DO).

A transferência da invasão

Dessa forma, a NOVACAP determinou o local para onde seria transferida a invasão. Organizou-se a distribuição dos lotes, e foi realizado um árduo trabalho de convencimento dos invasores de que seria melhor ir para a cidade que estavam criando, pois aumentariam as possibilidades de adquirir um lote futuramente com infra-estrutura básica e uma moradia digna. Assim, como forma de solucionar o problema habitacional já existente na época, implantou-se a primeira cidade do Distrito Federal

Em 10 dias foram transferidas cerca de quatro mil pessoas. Foram providenciados caminhões para transportar a mudança, construção de fossas, instalação provisória da rede de água, transporte diário dos trabalhadores em carros da NOVACAP e de outras empresas de construção. Existem registros que indicam que as primeiras famílias a se fixarem em Taguatinga residiram ao lado da Praça do Relógio, onde está localizado o Colégio Stella Maris e também as cercanias do Marista – Taguatinga Sul, próximo à Bica do Lar dos Velhinhos. Assegurou-se o mínimo de assistência médica com um hospital volante das Pioneiras Sociais.

O então presidente Juscelino Kubitschek comenta acerca do episódio:

“Não foi fácil a remoção dos cinco mil homens. Ernesto Silva, subindo num caixote, falou a multidão. Mostrou-lhes a planta do que seria a nova cidade-satélite, expondo-lhes a vantagem de já se instalarem em seus próprios lotes, onde, mais tarde, poderiam construir a casa definitiva. Prometeu que a Novacap se encarregaria de dar transporte a todos e que construiria os barracões provisórios, onde iriam alojar-se.” (OLIVEIRA, 1975, p. 175).

“Embora desconfiados, os invasores concordaram com a mudança. E teve início, então, a operação – transferência. As assistentes sociais cadastraram os migrantes e indo de casa em casa, cerrado adentro, aproveitaram a oportunidade para convencer os recalcitrantes. Depois, chegaram os caminhões, que quase nada conseguiram transportar. Permanecia a desconfiança. Em resumo, no primeiro dia, só uma família foi transferida.” Ibid.

“Ernesto Silva e Mário Meireles, porém, não desanimaram. No dia seguinte, lá estavam eles às 8 horas da manhã. Novo trabalho de persuasão. Depois de muito esforço conseguiram fazer a transferência de uma dezena de famílias. Um hospital volante das Pioneiras Sociais, enviado por sua presidente, Sarah Kubitschek, foi estacionado no local onde seria a cidade-satélite. A Novacap comprou madeira, pregos, folhas de zinco, e os barracões, construídos em Taguatinga apresentavam bom aspecto. Afinal, em dez dias, foram transferidos todos os invasores.” Ibid.

Fundação da Cidade

A cidade foi fundada em 5 de junho de 1958 em terras do município de Luziânia – Goiás, na Fazenda Taguatinga, a oeste de Brasília. Seis meses após a instalação dos primeiros habitantes, Taguatinga já era uma realidade, já funcionavam no local escolas, hospitais, casa para professoras e estabelecimentos comerciais. Era o princípio do povoamento da primeira cidade-satélite de Brasília.

Em 1970, o governador Hélio Prates da Silveira, por meio do Decreto 571/70, reconhece oficialmente Taguatinga como cidade.