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Geral CRISE HÍDRICA

Especialista fala sobre a crise hídrica no DF

Pesquisador em hidrologia, Marcelo Resende, professor e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB,) fala sobre as medidas do governo para conter a crise hídrica no DF e os novos hábitos da população

16/02/2017 12h27 Atualizada há 3 anos
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Por: Adenildo Souza Fonte: Da Redação
Marcelo Resende, professor e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília (Foto: Faiara Assis).
Marcelo Resende, professor e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília (Foto: Faiara Assis).

 O Distrito Federal sempre teve abundância de nascentes e reservas de água, ninguém imaginaria que passaríamos pela maior crise hídrica da história. Até março de 2016 a Barragem do Descoberto marcava 100% da capacidade. Porém, o que muitos não sabem é que esse cenário já era discutido pelo Conselho de Recursos Hídricos do DF. “Há alguns anos nós já tínhamos projetado que poderíamos passar por uma situação assim, talvez poderia até ter ocorrido antes, mas não ocorreu, pois estava chovendo regularmente e, por tanto, não haveria a necessidade de obtermos novos mananciais para abastecer a população”, conta o especialista e pesquisador em hidrologia, professor e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB) e membro do Conselho de Recursos Hídricos do DF, Marcelo Resende.

Com um mês de racionamento o DF passa por sua maior crise de abastecimento. O rodízio de distribuição feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) já entrou para a rotina do brasiliense, que aderiu à medida em prol do meio ambiente e da melhoria do fornecimento e gestão da água.

 

Marcelo Resende, explica como a crise hídrica se instalou na região e como o governo trabalha para voltar ao abastecimento de água regular: “Tivemos, nos últimos dois anos, uma conjuntura que foi totalmente ruim para nós. Primeira coisa, todos os aspectos meteorológicos e climáticos contribuíram para que chovesse pouquíssimo, foi bem abaixo da média que temos no DF. Então, como as águas dos reservatórios são dependentes da água da chuva, isso fez com o sistema fosse rebaixado naturalmente, mas, além disso, houve o aumento de demanda pela água, pelo próprio crescimento da população regional”.

 Outro agravante para a crise hídrica é o fato da ocupação desordenada de determinadas regiões do DF, que são fundamentais para a preservação de nascentes e a geração de água.  “O Sistema do Descoberto, responsável por abastecer 68% da população, é o que mais sofre com a ocupação inapropriada de áreas de reserva. Há uma demanda crescente de indivíduos que ocupam áreas próximas à bacia, o que ocasiona o entupimento de nascentes, redução da evasão dos rios e uma chegada menor de água no próprio reservatório”, salienta Marcelo. 

Contudo, na atual situação, a CAESB estuda meios de tornar o Lago Paranoá uma fonte de abastecimento, que poderia fornecer água para toda a região e, principalmente, à parte sul do DF. Em contrapartida, para desafogar o Sistema Descoberto, há propostas de cooperação com o Estado de Goiás e a empresa responsável pelo Saneamento de Goiás (SANEAGO), em construir uma nova Barragem em Corumbá IV, próximo à cidade de Luziânia, que iria fornecer água para a região do entorno sul do DF e às cidades de Santa Maria, Gama e Recanto das Emas. Com 47% da obra concluída, a Barragem de Corumbá IV irá fornecer água para cerca de 1,3 milhões de pessoas, a estimativa é de que a obra finalize em 2018. 

“Eu vejo que para o sistema reestabelecer e a população do DF passar um bom 2017, sem susto, é necessário que o Sistema do Descoberto chegue a mais ou menos 50% da capacidade, já estamos em torno de 30%, pois voltou a chover e estamos com o rodízio de abastecimento. Se ultrapassar os 50% eu acredito que podemos passar o tempo de saca com mais tranquilidade, porém o racionamento deve continuar até o fim deste ano”, salienta Marcelo. 

Além das medidas para melhorar a distribuição de água no DF feito por parte do governo, é necessário que a população mantenha a conscientização e continue a economizar. “Hoje adquirimos hábitos que já deveriam existir, pois aqui sempre houve um desperdício muito grande de água e agora a sociedade aprendeu e entendeu que é necessário economizar, que é algo bom tanto para o meio ambiente quanto para o bolso”, afirma Marcelo. 

Assim como no Estado de São Paulo, os brasilienses precisam manter o costume adquirido com a crise hídrica. “Espero que aconteça aqui o que aconteceu em São Paulo, que hoje está muito bem. O sistema Cantareira está com 93% da capacidade, não somente por conta das chuvas, mas também porque a grande maioria dos paulistanos continuam com os mesmos hábitos de economizar”, finaliza o especialista.

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