O Senado rejeitou, por 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Era necessária maioria absoluta de 41 votos, mas o advogado-geral da União não alcançou o mínimo exigido, tornando-se o primeiro indicado presidencial barrado para a Corte em mais de um século. A votação ocorreu nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, e expôs a fragilidade da base governista, já que até senadores aliados votaram contra.
Messias acompanhou a votação em um gabinete no Senado e, após o resultado, afirmou ter sido alvo de uma campanha difamatória durante cinco meses. “Passei por um processo de desconstrução da minha imagem. Nós sabemos quem promoveu tudo isso”, declarou em coletiva.
A derrota surpreendeu até a oposição, que esperava 37 votos contrários e obteve cinco a mais. O líder oposicionista Rogério Marinho (PL-RN) disse que a rejeição foi uma demonstração de força do Senado e da unidade do bloco. Já o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), considerado um dos principais articuladores contra Messias, praticamente antecipou o placar antes da votação.
Entre aliados do governo, o clima é de mal-estar e desconfiança. Lula pediu que Messias não tome decisões precipitadas e há quem defenda sua ida para o Ministério da Justiça como forma de reconhecimento. Nos bastidores, governistas admitem que a disputa eleitoral de outubro influenciou o resultado.
Com a rejeição, Lula mantém o direito de indicar outro nome para o STF, mas enfrenta resistência de Alcolumbre, que prometeu não pautar nova indicação antes das eleições presidenciais.
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