Caso Master: Flávio Bolsonaro admite ter pedido dinheiro a Vorcaro para filme sobre o pai

O caso foi revelado nesta quarta-feira (13) pelo portal The Intercept Brasil e confirmado por investigadores com acesso ao inquérito.

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Da Redação 3 min de leitura Fonte: Com informações do G1
Da Redação • 14/05/2026 às 12h51 • Fonte: Com informações do G1

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, confirmou ter mantido contato por quase um ano com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e articulado um apoio de R$ 134 milhões para um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso foi revelado nesta quarta-feira (13) pelo portal The Intercept Brasil e confirmado por investigadores com acesso ao inquérito.

Em nota, o senador admitiu o pedido, mas defendeu a legitimidade do acordo. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou. Segundo ele, o contato com Vorcaro começou em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações públicas contra o banqueiro, e foi retomado por conta de atrasos no pagamento das parcelas do patrocínio.

Um áudio divulgado pelo Intercept mostra o próprio Flávio cobrando os repasses: “Está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso”, disse o senador em mensagem ao banqueiro. Documentos e comprovantes bancários apontam que parte do valor foi transferida entre fevereiro e maio de 2025, por meio de uma empresa de Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

A autenticidade dos diálogos foi confirmada com fontes que têm acesso à investigação. As mensagens fazem parte da extração do conteúdo do primeiro celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

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As últimas mensagens entre os dois datam do início de novembro de 2025. Dias depois, a PF prendeu Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos quando ele tentava embarcar para Dubai, e o Banco Central decretou a liquidação do Master. Atualmente preso em Brasília, o banqueiro negocia um possível acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República.

Flávio negou ter oferecido qualquer vantagem em troca do patrocínio. “Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse. O senador também renovou críticas ao governo Lula, citando uma reunião não oficial entre o presidente e Vorcaro em 2024 e um contrato do Master com o escritório de advocacia do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

Nos meses anteriores à revelação, Flávio havia adotado postura ofensiva sobre o caso, usando camisetas com a frase “O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula” e defendendo a criação de uma CPI para investigar o escândalo. Após a publicação das mensagens, manteve o mesmo pedido: “CPI do Master já”.

O filme, produzido no exterior com atores e equipe estrangeiros, tem lançamento previsto para este ano. Jair Bolsonaro, ao ser informado pelo filho sobre a repercussão, teria dito para ele “ficar firme” e descartado qualquer possibilidade de Michelle Bolsonaro concorrer à Presidência em 2026.

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