A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta segunda-feira (1º) o início da ocupação do Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga. O complexo foi entregue em 2014, mas nunca chegou a ser efetivamente ocupado. Segundo o GDF, o objetivo da mudança é reduzir gastos com o aluguel de imóveis que hoje abrigam as secretarias.
A primeira pasta a iniciar a transferência será a Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF). De imediato, mais de 150 servidores da pasta devem ocupar o espaço, segundo o secretário Valter Casimiro. A SODF também será responsável por conduzir as intervenções necessárias para receber os demais órgãos, em conjunto com as secretarias de Economia e a Casa Civil, que coordenará a destinação dos prédios. O gabinete da governadora também deve ser transferido para o novo endereço.
A meta do governo é ocupar gradualmente os 182 mil metros quadrados do complexo, distribuídos em 16 edifícios. Entre as secretarias prioritárias estão a de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), a Casa Civil, a Casa Militar e a Secretaria de Governo. No caso da Seduh, o contrato de aluguel atual está próximo do vencimento e será renovado apenas pelo período necessário para viabilizar a mudança, segundo o secretário Marcelo Vaz.
Atualmente, a Novacap executa serviços de recuperação do paisagismo em parceria com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), enquanto a manutenção dos elevadores já foi acionada pela Secretaria de Economia. A Secretaria de Obras faz o levantamento de demandas estruturais, como impermeabilização de lajes e recuperação de calçadas e calhas. Não há informações, até o momento, sobre quanto a mudança vai custar em mobiliário e na manutenção de espaços desocupados há anos.
O Centrad foi construído por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada em 2009 entre o GDF e o consórcio formado por Via Engenharia e Odebrecht, com valor previsto de R$ 6 bilhões e duração de 22 anos. O espaço foi inaugurado em 2014 pelo então governador Agnelo Queiroz, no último dia de seu mandato, com as obras ainda inacabadas. No ano seguinte, o Ministério Público (MPDFT) se manifestou contra a ocupação e não forneceu a Carta de Habite-se ao prédio.
Desde então, o empreendimento acumulou entraves jurídicos e disputas judiciais. Em 2020, a Justiça proibiu o GDF de repassar recursos ao consórcio, e em 2022 o contrato da PPP foi anulado. As empresas alegam ter gastado cerca de R$ 1,5 bilhão na construção e tentam reaver o investimento. Com a anulação, o GDF passou a ser responsável pela segurança do local, que ficou alvo de invasões, vandalismo e depredação. O Centrad também está entre os imóveis incluídos na lei de socorro ao caixa do Banco de Brasília (BRB).
A ocupação do complexo vinha sendo prometida por sucessivas gestões. Entre 2019 e 2025, governos anteriores anunciaram em diversas ocasiões o início das obras e a transferência de órgãos para o local, sem que os planos se concretizassem.
Além da redução de custos, o governo aponta que a ocupação deve impulsionar a movimentação econômica de Taguatinga, com aumento do fluxo de servidores, visitantes e serviços no entorno. Segundo o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, a transição será feita em cronograma escalonado para evitar prejuízos ao atendimento da população, e o GDF ainda contabiliza os ganhos da medida.
Comentários
Faça login para comentar
Para garantir um ambiente de debate saudável, os comentários são exclusivos para usuários cadastrados.