As duas maiores facções do crime organizado brasileiro entraram oficialmente na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. A medida foi confirmada nesta sexta-feira (5) por meio de publicação no diário oficial americano e leva a assinatura do chefe da diplomacia do país, o secretário de Estado Marco Rubio.
Com a nova classificação, o PCC e o CV passam a sofrer uma série de restrições em solo americano. Integrantes ligados às facções ficam impedidos de entrar nos EUA e estão sujeitos à deportação caso já estejam por lá. Qualquer forma de auxílio aos grupos passa a ser crime, e instituições financeiras americanas são obrigadas a congelar valores associados a esses membros e a comunicar as movimentações às autoridades.
Levantamento citado pelo governo americano aponta presença das facções em doze estados do país. Entre os territórios identificados estão Flórida, Nova York, Nova Jersey, Massachusetts e Tennessee.
No Brasil, a decisão encontra resistência. A legislação nacional reserva o conceito de terrorismo para ações violentas ligadas a motivações como xenofobia e preconceito, voltadas a disseminar pânico coletivo, interpretação distinta da adotada por Washington. Para o governo federal, PCC e CV devem ser enquadrados como facções criminosas, responsáveis por impor o medo em regiões marcadas pelo tráfico, pelo comércio ilegal de armas e pela presença de milícias.
A gestão federal também demonstrou irritação com a aproximação de aliados de Jair Bolsonaro junto à Casa Branca. A oficialização da medida coincidiu com a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por Washington, onde teve encontros com Donald Trump e com integrantes de alto escalão do governo americano.
Comentários
Faça login para comentar
Para garantir um ambiente de debate saudável, os comentários são exclusivos para usuários cadastrados.