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Sespa capacita técnicos de Belém e Ananindeua sobre tratamento de tabagismo

O objetivo é apoiar a qualificação de novas equipes para tratar fumantes nas Unidades de Saúde

29/06/2021 às 19h45 · 4 min de leitura
Da Redação 4 min
Da Redação • 29/06/2021 às 19h45

Os critérios para diagnóstico do tabagismo, tratamento, uso de medicamentos e outros insumos apropriados, acompanhamento e resultados terapêuticos estiveram entre os temas abordados em treinamento ministrado pela equipe técnica da Coordenação de Controle de Doenças Crônicas, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), ocorrido nesta terça-feira (29), em Belém, na sede do Centro Integrado de Inclusão e Cidadania (CIIC).

O treinamento atendeu às demandas das duas prefeituras, que pretendem ampliar o atendimento contra o tabagismo
O treinamento atendeu às demandas das duas prefeituras, que pretendem ampliar o atendimento contra o tabagismo – (Foto: Ascom/Sespa)

O objetivo da atividade foi apoiar a qualificação de novas equipes da Atenção Primária para tratar fumantes nas Unidades de Saúde de Belém e Ananindeua, na Região Metropolitana. O conteúdo utilizado na capacitação teve como referência técnica o “Protocolo clínico e as diretrizes terapêuticas do tratamento do tabagismo”, publicado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2020, que contém as mais recentes diretrizes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos tabagistas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O documento ainda estabelece critérios para classificação dos pacientes em relação ao nível de dependência física à nicotina, e orienta o tratamento ofertado na rede pública, seja por meio de sessões estruturadas, a abordagem cognitivo-comportamental (eixo principal do tratamento) ou por situações específicas do paciente, em que é previsto o uso de medicamentos, como a terapia de reposição de nicotina (adesivo e goma), isolada ou em combinação com o cloridrato de bupropiona.

Samantha Simões, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo, da Secretaria de Saúde de Belém
Samantha Simões, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo, da Secretaria de Saúde de Belém – (Foto: Ascom/Sespa)

Protocolo clínico– Segundo a coordenadora de Controle de Doenças Crônicas da Sespa, Sílvia Corrêa, o treinamento atendeu a uma demanda das gestões municipais de Belém e Ananindeua, que têm em comum o objetivo de ampliar o acesso às pessoas que recorrem às Unidades Básicas de Saúde em busca de um tratamento para deixar de fumar e se manter sem o tabaco. “Como tivemos uma rotatividade de profissionais com a mudança das gestões municipais, houve a necessidade de capacitá-los sobre vários aspectos inerentes à abordagem do tabagista em busca de tratamento, de acordo o protocolo clínico do Inca”, destacou.

Além da identificação das classificações dos tipos de dependência, a capacitação abordou o fluxo de identificação e a abordagem do tabagista. Mais de 50 profissionais de saúde participaram da atividade, que teve carga horária de 8 horas. “Com isso, os inscritos na capacitação estarão mais preparados para compor as equipes para a realização do tratamento, com as orientações previstas no protocolo e com o objetivo de fazer o paciente não só deixar de fumar, como permanecer sem fumar e reconhecer situações que podem desencadear a vontade de fumar”, informou Samantha Simões, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo, desenvolvido pela Secretaria de Saúde de Belém (Sesma).

Transtorno mental– Na definição do Inca, o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica e contagiosa, provocada pela utilização de produtos derivados do tabaco, que contém nicotina na sua folha. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID10), fumar está inserido no grupo dos transtornos mentais devido ao uso de substância psicoativa. É considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável, adoecimento e empobrecimento no mundo, sendo responsável por 8 milhões de óbitos anuais. Estima-se que mais de 7 milhões dos óbitos são resultado do uso direto do tabaco, enquanto mais de 1,2milhão são decorrentes da exposição ao tabagismo passivo.

Sílvia Corrêa, coordenadora de Controle de Doenças Crônicas da Sespa
Sílvia Corrêa, coordenadora de Controle de Doenças Crônicas da Sespa – (Foto: Ascom/Sespa)

A presença de quase 7 mil substâncias na fumaça dos derivados do tabaco (250 substâncias prejudiciais e 69 cancerígenas) faz com que o tabagismo seja responsável por aproximadamente 50 doenças, muitas delas graves e fatais.

Segundo a OMS, o tabagismo é responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Destas, causa 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema); 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero e estômago); 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral – AVC).

Por Mozart Lira (SESPA)

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