O Senado aprovou nesta quinta-feira (27) a Medida Provisória (MP) 1.025/2020, que prorroga até 1º de janeiro de 2023 o prazo para todas as salas de cinema do país oferecerem recursos de acessibilidade a pessoas com deficiências visual e auditiva. O texto será encaminhado à promulgação.
O texto foi relatado pela senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), que rejeitou as 20 emendas apresentadas à proposição no Senado, tendo sido mantido a redação aprovada nesta quarta-feira (26) na Câmara.
Em seu relatório, Soraya Thronicke destacou que a MP pretende dar ao setor de exibição cinematográfica mais tempo para que se recupere dos prejuízos causados pela pandemia de covid-19.
— Não podemos deixar de voltar atenção à questão relacionada ao acesso às pessoas com deficiência, para que possamos garantir qualidade de vida e igualdade de direito a todas as pessoas. Se, por um lado, as pessoas com deficiência terão de aguardar mais uma vez para que 100% das salas de cinema sejam acessíveis, como determina nossa legislação, por outro, o que se busca é criar condições para que não haja o fechamento permanente de diversas salas de cinema, que não teriam dinheiro suficiente para implementar todas as adaptações exigidas. É mais do que razoável flexibilizar esse prazo — afirmou.
A exigência para a adaptação nos cinemas está prevista na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146, de 2015). De acordo com o texto, as salas de exibição devem contar com espaços livres e assentos para pessoa com deficiência e recursos como língua brasileira de sinais (Libras) e a audiodescrição.
Originalmente, a regra deveria entrar em vigor em janeiro de 2020, pois a lei concedeu prazo inicial de quatro anos para essa adaptação, com vigência de todo o texto começando depois de 180 dias de sua publicação, ocorrida em julho de 2015. Porém, em 31 de dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro editou MP adiando a regra para 1º de janeiro de 2021. Esta é a segunda prorrogação, que leva o prazo para 1º de janeiro de 2023.
A relatora da matéria na Câmara, deputada Greyce Elias (Avante-MG), apresentou parecer favorável ao texto encaminhado pelo governo. Segundo a Presidência da República, a MP se faz necessária em razão das medidas restritivas e do fechamento das salas de cinema provocados pela pandemia de covid-19, o que prejudicou o faturamento do setor em 2020.
De acordo com o Ministério do Turismo, se o prazo de adaptação não fosse prorrogado, de 50% a 70% do parque exibidor nacional se tornaria irregular em 2021. Segundo o governo, a aplicação das sanções poderia aprofundar ainda mais os problemas vivenciados pelo segmento em virtude da pandemia.
Comentários
Faça login para comentar
Para garantir um ambiente de debate saudável, os comentários são exclusivos para usuários cadastrados.